A importância do cuidado com as lesões por pressão

Na semana em que se celebra o Dia Mundial de Prevenção de Lesões por Pressão – 20 de novembro – o Grupo de Pele do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE UFPel) realiza uma série de atividades para alertar sobre a importância do tema. Serão ações digitais educativas para público interno e externo, que culminarão com palestra online no dia 19 de novembro às 18h com a Enfermeira Elisandra Leites, Líder do Grupo de Referência em Estomaterapia (GREST) do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, com o tema “Desafios dos hospitais na prevenção de lesões por pressão”, com enfoque no papel da avaliação do paciente e o uso da escala de avaliação de risco para lesão por pressão.

As lesões por pressão (LPP), ou úlceras por pressão, são um problema de saúde pública no país. Consideradas um evento adverso, podem ser evitadas com medidas simples. De acordo com o Relatório Nacional de Incidentes relacionados à Assistência à Saúde, notificados pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, no período entre janeiro de 2014 a julho de 2017, dos mais de 134 mil incidentes notificados, 17,6% referiam-se a lesões por pressão, sendo o terceiro tipo de evento mais frequente notificado. No mesmo período, 34 pacientes foram a óbito por esta causa.

Além de prolongar a permanência dos pacientes internados em hospitais, as lesões por pressão aumentam o risco de infecções e o custo do serviço de saúde, podendo também ser causa de reinternações após a alta hospitalar. Conforme a coordenadora do Grupo de Pele do HE, Maria Angélica Padilha, estima-se que o custo diário para tratamento de lesões por pressão supere R$ 145,00, enquanto as medidas de prevenção teriam custo médio de R$ 5,00. “Existem instrumentos de avaliação de risco dos fatores que favorecem o aparecimento das lesões por pressão, por isso ressaltamos a importância da Escala de Braden para evitarmos que o paciente venha a desenvolver estas lesões, que causam muita dor e sofrimento, podendo levar ao óbito”, destacou ela.

A Escala de Braden é uma ferramenta para a prática clínica, de avaliação de risco de lesão por pressão, desenvolvida em 1987 e validada no Brasil em 1999. Ela permite a identificação do grau de risco para o desenvolvimento de lesão por pressão, possibilitando a implementação de um plano de cuidado individualizado.

Juntamente com o Grupo de Estudos e Pesquisa em Prevenção e Tratamento de Lesões Cutâneas (GEPPTELC), o Grupo de Pele do HE, busca com as ações educativa referenciar a Escala de Braden como instrumento que avalia os fatores de risco para lesão por pressão possibilitando quantificá-los, permitindo adoção de uma linguagem única entre os profissionais, para fornecer indicadores para estratégias de segurança e melhoria da assistência prestada.

Dentre os benefícios do uso da Escala de Braden para o hospital está a redução de custos e tempo de internação, padronização da assistência, qualificação do serviço assistencial e educação em serviço, favorecendo dados para ensino e pesquisa. Para as equipes de enfermagem, será possível além de qualificar o trabalho, dimensionar o cuidado, agregar conhecimento entre equipe, usuários e cuidadores, reduzindo o reaparecimento de novas lesões após a alta e em outras instituições de saúde. Já para a equipe multiprofissional, integra ainda mais o trabalho em equipe, visando a segurança do paciente, permitindo prever os riscos e auxiliar no plano de intervenção e implantação de cuidados.